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2015/09/23

O Nosso Património Cultural

Há dias partilhei um “post” do Facebook, do meu amigo José Avila sobre uma feira de livro na cidade de Manteca, no norte do vale de San Joaquim. Agradeço ao Jose Avila pelo "post" e tal como ele (e isto vem na linha de um comentário que tinha feito) acho que fazia mesmo muito bem as nossas festividades irem além do populucho. É que a leitura é dos atos mais importantes para o crescimento de qualquer pessoa. Fazia-nos bem, muito mesmo, que as nossas festas (e Deus sabe que temos tantas) fossem também espaços da cultura erudita e que fossem instrumentos para incentivar a leitura. Bem sabemos que no seio da nossa comunidade de origem portuguesa espalhada na Califórnia já se lê pouco em português, mas o menos que falta são livros de temática portuguesa em inglês. Desde as obras dos nossos maiores escritores portugueses aos contemporâneos de língua portuguesa, de toda a lusofonia. Todos estão traduzidos para português. Depois temos a Portuguese Heritage Publications da Califórnia e a Tagus Press a publicarem obras em inglês sobre temáticas portuguesas, algumas relacionadas com as comunidades e outras traduções de obras literárias portuguesas. Há um manancial de publicações que precisavam serem lidas pelas nossas comunidades, para todos de todas as idades. Fazia-nos bem valorizarmos a cultura dos livros, da leitura, do saber, do conhecimento. Fazia-nos bem termos em cada festa uma mini feira do livro--(há anos que fazemos isso nos eventos da escola em Tulare--raramente vendemos, mas lá estão livros); fazia-nos bem passar o nosso legado cultural de uma forma mais abrangente e mais correta. É que o conhecimento dos nossos jovens adultos pela cultura portuguesa é ainda muito rudimentar. Nas nossas instituições fica-se pelos elementos mais básicos da cultura popular e pelo mundo português que raramente vá além da freguesia, da ilha. Que raramente vá a todo o arquipélago, mais raro a toda a portugalidade, e muito mais raro à lusofonia. Atuamos como se o centro do mundo e a cultura portuguesa estivessem circunscritos à freguesia dos nossos pais ou avós. Atuamos como se tudo o que engloba a riquíssima tradição da cultura portuguesa, e do mundo da língua portuguesa, estivesse implantado e restrito aos aspetos mais populares. E mesmo no mais popular não damos espaço ao que nos vai levantar como comunidade: o conhecimento, a leitura, o saber. Sei que muita gente se sente confortável nesse pequeno espaço, mas somos mais, muito mais e só com os livros e o conhecimento poderemos passar quem verdadeiramente somos. Não sei porque é que como comunidade temos medo dos livros?!. Há que criarmos espaços para todos os aspetos do nosso património cultural, porque temo que o que andamos a passar é mesmo muito básico, extremamente elementar. Daí que desafio (no sentido inofensivo da palavra em inglês--challenge) as nossas organizações a copiarem este aspeto bonito desta festividade em Manteca e começarmos a ter espaços para os livros, para a poesia, para a totalidade da cultura portuguesa. É tempo de irmos mais além. É tempo de levarmos o valor das nossas artes junto de toda a comunidade. Não tenhamos medo da literatura, da poesia, do ensaio, da crítica literária, do conto, etc. Para se ter conhecimento da nossa identidade temos que conhecer elementos que vão além do popular. Há que conhecer a nossa história coletiva, a nossa literatura, a nossa poesia, os nossos contributos no mundo da filosofia, das ciências, etc. Os livros trazem-nos isso tudo. Seria muito bom mesmo que os luso-descendentes pudessem conhecer a irreverência poética de um José Régio e de uma Natália Correia; a criatividade de um Saramago, um João De Melo, um Jorge Amado, um Mia Couto, um Pepetela, um Germano Almeida, entre outros. Conhecer um Eça de Queiroz, um Antero de Quental, um Fernando Pessoa e o nosso Camões, além do nome, claro. E mesmo conhecer e ler os nossos luso-descendentes, como um Frank Gaspar, uma Katherine Vaz, um Anthony Barcellos, uma Lara Goulart, entre outros. Gastamos tanto tempo e energia em tantas atividades populares que nunca temos espaço para elementos fulcrais como a nossa literatura. E magoa-me em termos culturais ver jovens adultos, orgulhosos da sua cultura mas sem a, verdadeiramente, conhecerem--embora pensando e às vezes, vaidosamente, que a conhecem, sem nunca terem lido alguns dos nossos clássicos, alguns dos nossos contemporâneos, alguns dos nossos luso-americanos. Ainda que fosse para discordar com eles. Há ainda muito que fazer meu caro Jose Avila nestas nossas comunidades e não sei se algum dia chegaremos a esta ideia que trouxeste aqui e pela qual lutei (e ainda luto) durante os colóquios, simpósios e outras atividades que teimei em fazer, Sei que há quem ficará chateado com isto, mas também com os 56 anos que já cantam nunca me preocuparam as criticas e sempre me preocupou o crescimento cultural das nossas comunidades. Esse crescimento cultural só se faz com a leitura. Não venham dizer que são conhecedores da cultura portuguesa, como já ouvi tantas vezes, e nunca leram um livro de um dos nossos escritores.  A cultura portuguesa vai muito além de uma festa popular

2015/09/05

Mais uma edição do Festival de Folclore Português na Califórnia a realizar na cidade de Tulare.  É no dia 19 de Setembro.  É o trigésimo-terceiro anual.  Um convite à comunidade portuguesa, luso-descendentes e todos o grupos étnicos que compõem este mosaico humano que é a cidade e o condado de Tulare, para estarem no TDES.  Já houve outras edições em Tulare.  Uma delas ainda não havia o atual grupo do Centro Português de Evangelização e Cultura, o Saudade do Bravo.  Lembro-me que eu o meu amigo Pedro Valadão Costa organizamo-lo com o apoio da Maria Batista do Chino.  Estávamos na comunicação –social, tínhamos o Novidade.  Já perdi a conta aos anos, mas deve ter sido há trinta e tal anos, de certeza.  Depois da existência do Saudade do Bravo já outros se realizaram, um dos quais no salão dos veteranos em Tulare, no começo da década de 90, estava na liderança o meu saudoso amigo Alberto Ferreira.  Este ano será em Tulare, ainda mais uma vez.  Convergem os vários grupos da Califórnia, sob os auspícios do grupo Saudade do Bravo.  Tulare, cidade irmã de Angra do Heroísmo . Para os grupos visitantes, talvez não saibam, mas há uma dúzia de anos, no ensino secundário desta cidade, há uma aula nos cursos de língua e cultura portuguesas com um projeto dedicado ao ensino do folclore, primando pelo folclore dos Açores.  Com os 44 alunos deste ano, já passaram por esta aula, em 12 anos, cerca de 450 alunos, não só de origem portuguesa mas de diversas etnias.  Todos os anos aprendem cerca de 15 modas do nosso folclore e apresentam-se, durante o ano letivo, em unidades do ensino, eventos culturais, universidades, eventos comunitários, etc.  É um projeto único no ensino da nossa língua e cultura inserido numa aula de língua e cultura portuguesas que tem entusiasmado os alunos, os pais e a administração escolar.  E é apoiado de ano para ano pelos antigos alunos do curso.