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2012/10/25


Os Editoriais e as Eleições Americanas

 

            Estamos à beira de mais um ato eleitoral nos Estados Unidos da América.  A 6 de Novembro os cidadãos americanos, os recenseados, entenda-se, elegerão o seu Presidente para os próximos quatro anos.  Simultaneamente escolherão a composição do próximo Congresso.  Esta é, indubitavelmente, mais uma eleição marcante na história da democracia anericana.  Mais uma vez os votantes traçarão o destino deste grande país.  A escolha não é muito complexa, ou votam para o seguimento que Barack Obama tem tentando dar ao país, retirando-o do abismo económico, ou dão a oportunidade a Mitt Romney de voltar às políticas arrogantes e economicamente desastrosas da administração de Bush II.   A opção marcará o futuro da nação e afetará o mundo.
            Com a campanha a chegar ao fim, uma campanha que dura há quase dois anos, a vasta maioria dos americanos já fez a sua escolha.  Existem os sempre peculiares, independentes, que, segundo as sondagens, ainda não decidiram, ou melhor, ainda não sabem para que lado está o futuro.  Porém, a vasta maioria já decidiu e em muitos estados, onde é permitido o voto por correspondência e o voto com antecedência, muitos já exerceram o seu direito, diria mesmo, a sua obrigação cívica.  E com o fim da campanha começam  a aparecer os tradicionais editorias de apoio dos vários jornais americanos.  O que raramente deixa de ser surpresa.  Vejamos alguns dos mais curiosos.

            O jornal Salt Lake Tribune, da cidade de Salt Lake City, no estado de Utah, onde fica a sede da igreja Mórmom, à qual pertence Mitt Romney,  acaba de pedir o voto em Barack Obama.  Este periódico, fundado por membros da igreja a que Romney pertence, e da qual foi bispo, é inequívoco, o Presidente Obama deve ser reeleito porque soube trabalhar para retirar o país do abismo económico em que nos encontrávamos há quatro anos.  Para os editores deste jornal, depois dos debates presidenciais, a política interna de Romney, "não possui qualquer detalhe credível, daí sujeitar-se à desconfiança." Não deixa de ser marcante que o maior jornal do estado de Utah, do centro da igreja de Romney, desconfia das suas políticas e apoia o atual Presidente porque, nas palavras dos editores: OB, tem mostrado habilidade como líder e Romney está um pouco por todo o lado sem definir-se quem é, e quem representa. 

            O Tampa Bay Times, na Florida, local onde o Partido republicano teve a sua convenção (congresso) também prefere o atual inquilino da Casa Branca.  Como refere este jornal, localizado num estado que tem alguma tradição republicana: "o Presidente Obama foi eleito há quatro anos em torno de uma grande esperança para o país. A aura foi-se e veio a realidade.  Apesar da recuperação não ser a desejada, muito mais dificultosa do que se imaginava, não há dúvidas que sem a liderança e as políticas de Barack Obama o país estaria muito pior.  Este não é o momento de voltarmos às políticas falhadas do passado. 

            Sem hesitação, o Tampa Bay Times apoia a recandidatura do Presidente Obama.  Mais, o jornal explica, ponto por ponto, porque é que apoia o Presidente, delineando as suas políticas, mencionado a inconsistência de Mitt Romney e a obstrução do Congresso controlado pelos Republicanos, cuja prioridade nos últimos dois anos, como se sabe, não foi legislar para bem do país mas sim ser travão constante a todas as políticas da Casa Branca.   Derrotar o atual Presidente, mesmo que tal percurso custasse, como tem custado, bastante caro à economia e à classe média americana, foi a tónica deste último Congresso.

            Uma das outras surpresas, particularmente para os conservadores, foi o apoio do jornal Denver Post, da cidade onde se realizou o primeiro debate presidencial.  O matutino mais influente do estado de Colorado afirmou que em 2008, no meio de duas guerras e de grandes incertezas económicas, havia apoiado um jovem Senador de Illinois e quatro anos mais tarde voltava a apoiar o agora Presidente Obama porque, "a guerra do Iraque acabou, a do Afeganistão está na sua fase final e a economia tem melhorado a passos vistos."   O jornal também refere, e em termos agressivos, a intransigência do Partido Republicano no Congresso.  Na realidade, se este Congresso tivesse aprovado a legislação American Jobs Act (legislação para promover empregos) hoje o desemprego estaria ainda mais baixo.  Porém, e ainda mais uma vez, os Republicanos preferiram embargar as políticas do Presidente m detrimento do bem nacional.  Há que pintar Barack Obama como incompetente.   E há que salvaguardar, a todo o custo, os baixos impostos dos mais endinheirados do país. 

            São vários os jornais que têm afirmado o seu apoio aos dois candidatos.  Dos mais conhecidos, Barack Obama teve o apoio do Los Angeles Times; do Washington Post; do Sacramento Bee (que não é propriamente um jornal liberal); do Charlote Observer (na Carolina do Sul); do Arizona Daily Star e do Philadelphia Inquirer, entre outros.  O candidato republicano e ex-governador de Massachusetts, Mitt Romney, teve o apoio do Detroit News; do Star-Telegram de Texas; do Las Vegas Review de Nevada e do New York Post, entre outros.  Na totalidade, e a uma semana das eleições, 18 grandes jornais americanos apoiaram Barack Obama e 15 Mitt Romeny.

            É do conhecimento geral que editorias de jornais não significam votos nas urnas,porém a divisão de opiniões, é mais uma indicação de que este ato eleitoral será disputado até ao último dia.  E isso é também mais uma elucidação de que muitos americanos não têm estado interligados à política americana ao longo dos últimos quatro anos.  É ainda indicativo que o dinheiro pode não comprar votos, mas confunde, muito mesmo os cidadãos.  É que, o ambiente deste ato eleitoral tem estado minado pelos montantes exorbitantes que os plutocratas americanos têm atirado para a campanha de Mitt Romney.  Na realidade, os plutocratas americanos notam as mudanças demográficas que acontecem nos EUA, e com cada dia que passa, ficam mais receosos de que terão de conviver com uma América mais justa, mais equitativa, mais multicultural.  E essa América, a verdadeira América, assusta-os.  Daí que gastam fortunas a persuadir o cidadão comum a votar contra os seus próprios interesses e inventam papões que o cidadão comum, infelizmente, ainda acredita.  É que só num ambiente de confusão e manipulação é que se pode entender a proximidade das sondagens.

            Esta eleição é, ainda mais uma vez, um espaço para os americanos refletirem sobre algo, que embora simples, tem afetado este país, e a sua história política desde os seus primeiros dias, ou seja: queremos um governo ao serviço de muitos ou um governo ao serviço de poucos.  

            Pessoalmente prefiro que sejamos mais abrangentes e que tenhamos um governo ao serviço dos 99%. 

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